

Tenho adiado esse assunto, mas acho pertinente abordá-lo agora, ante ao que tenho presenciado e como uma das razões para o encanto que eu via na SL se esvair. Antes dos simuladores de vida que têm se multiplicado na internet, muitos de nós puderam se divertir com The Sims, em nossas inocentes aventuras, que dependiam apenas de nós. Foi um ótimo ensaio para o que viria depois.
Não sou dona da verdade e cada um tem sua opinião, mas fica muito claro até mesmo na página oficial da Linden Labs, a criadora do Second Life (o próprio nome traduzido quer dizer, Segunda Vida), que isso não é um jogo, mas um “simulador de vida, de sonhos, criado e imaginado por seus usuários”. Second Life é uma “vida paralela”, uma segunda vida além da vida “principal”, “real”.
Não somos apenas uma representação em pixels, nem bonequinhos, como tantos teimam em afirmar. Afinal, sem o nosso controle não haveria interação e nada do que acontece na SL. Jogo? Quais sãos as metas, objetivos, adversários a superar, enfim?

O ambiente virtual em 3D simula em muitos aspectos a nossa vida real e para cada um que cria seu avatar a SL pode ser um jogo (se você gosta de RPG e outros jogos que acontecem dentro da SL), um mero simulador, comércio virtual ou uma rede social. O maior atrativo é poder simular a vida real online que une plataformas como Orkut, YouTube e MySpace, tudo em um único espaço, que torna a experiência fascinante.
Ainda que Second Life seja o mais bem sucedido dos simuladores de vida, é possível encontrar na rede outras opções como: Smallworlds, Popmundo e Kaneva. Esses são fatos e observações lógicas sobre o que é Second Life e simuladores de vida. E então, proponho a discussão sobre essa Utopia sonhada por tantos em viver uma vida perfeita, mas que repete apenas a nossa ínfima e caduca idéia desse “admirável mundo novo” e que a maioria leva para dentro do metaverso, nos vícios e situações mal resolvidas encontradas em nosso mundo real. Paradoxalmente, esse “mundo de maravilhas”, como Alice encontrou sua Wonderland está repleto de cópias simuladas pela mesmice das famílias, das tentações de cada um em repetir o que lhe é familiar. Qual é o conforto e segurança em “brincar de casinha” na SL? É um JOGO? Jogar com os sentimentos alheios, com a vida e expectativas do outro é divertido? Brincar de AMAR um avatar/pessoa por semana faz bem ao ego? São algumas das inúmeras questões que teimam em surgir durante minhas reflexões.

Tenho grande preocupação quando sei de pessoas que abandonam literalmente sua vida real com maridos e esposas reais e filhos de verdade, para viverem essa fantasia, que tende à esquizofrenia. Penso em quantos personagens estas PESSOAS e não bonequinhos precisam criar para serem felizes? Sinto que os valores estão deturpados e uma de minhas maiores preocupações está em entender o que um adulto ou um adolescente ou criança (isso é muito sério, pois nem poderiam estar na SL), busca em se travestir de avatar criança e falar como se fosse um deficiente cerebral? (nem uma criança de verdade fala como muitos que vejo). E essa questão é extremamente delicada, pois pode estimular no doente, algo que abomino, como a pedofilia. Isso é muito sério e muitos ainda não entendem.
Querem simular uma segunda vida? Certo, maravilha, mas qual alegria existe em simular nesse “novo Mundo” as mesmas farsas e vícios de nosso velho e deficiente mundo? É incrível como na SL tudo se potencializa e os defeitos encontram múltiplas facilidades sob o manto do anonimato.
Sou extremamente positiva e acredito em um mundo maravilhoso e por estar de bem com a vida é que adoraria encontrar mais caráter, boa índole, boas ações e ações pró-ativas na SL. Afinal, somos nós que criamos esse mundo virtual e isso deveria ser tão melhor.

SL é um simulador de vida e poderia ser maravilhosa se tentássemos usá-la como ensaio e escola para vivermos uma vida real cada vez melhor. Em lugar de dizer eu te amo em chat aberto, em declarações irreais para alguém que acabou de conhecer, por que não dedicar essa energia e carinho em fazer da vida real mais feliz, declarar ou resgatar seu amor a quem está ao seu lado? A fragilidade dos sentimentos e como são descartáveis na SL é chocante.
Vida não é brinquedo para se jogar e há sentimentos em quem controla os tais “bonequinhos” e não me refiro apenas aos sentimentos românticos, mas também à frustração de quem monta um negócio e é lesado, de quem é traído por um amigo ou pai, mãe, irmão postiço de SL… Jogo… sim, a SL tem jogo de RPG, Arcade, Pescaria, tudo como parte do que pode tornar essa segunda vida mais divertida. Mas, gente não é boneco, gente não é pixel, nem merece ter seus sentimentos descartáveis. Enquanto tantos considerarem a SL um jogo e não entenderem que é simulador de vida. Muitos serão magoados.
Amor, caráter e amizade são muito diferentes dos absurdos que cometem na SL em nome da diversão ou descarregar frustrações a qualquer custo. Simular uma vida de sonhos é uma delícia, mas que isso não se torne algo destrutivo e sádico, que tem causado sérios estragos a muita gente.
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